Coluna | Por que a área de comunicação atrai tanto?

16 09 2008

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por Bruno Lessa*

A Fuvest, fundação que coordena o vestibular mais concorrido do país, divulgou recentemente a relação candidato/vaga de 2008. O curso de publicidade e propaganda, que ano passado foi o mais concorrido com 45,74 candidatos/vaga, este ano ficou em segundo lugar, com 41,02 candidatos disputando cada uma das vagas oferecidas. O curso de jornalismo passou a ser o mais concorrido com 41,63 candidatos para cada vaga.

O concorrido vestibular da USP reflete o cenário de grande parte das universidades brasileiras, e o “empate técnico” entre as duas profissões chama atenção para uma pergunta: Por que a área de comunicação tem atraído tanto os estudantes brasileiros?

Procurando uma resposta, questionei alguns vestibulandos sobre o motivo da escolha do curso, fazendo-lhes perguntas sobre o conhecimento da atual situação do mercado de trabalho, planos para a profissão e a opinião sobre o porquê da área de comunicação estar atraindo tanto os estudantes brasileiros nos últimos anos.

As respostas foram as mais variadas, e algumas até bem curiosas. Um dos pontos destacados é o fato da área de comunicação ter crescido muito dentro das empresas nos últimos anos, além de permitir que o profissional tenha a flexibilidade de atuar em diversas áreas diferentes dentro de uma mesma profissão. Muitos vestibulandos que não sabem exatamente o que querem fazer na carreira acabam optando por comunicação, com a idéia de que podem posteriormente optar por um segmento de maior identificação com seus interesses. Além disso, estamos na era do conhecimento e hoje a quantidade de informação e de novos meios de comunicação aumenta em progressão geométrica. Poder fazer parte deste processo sem dúvida atrai muitos estudantes.

A grande maioria dos entrevistados tem ciência de que a área de comunicação está beirando a saturação, com mais profissionais do que colocação disponível no mercado. Mesmo assim, os aspirantes a comunicólogos esperam fazer um trabalho de resultados em agências de renome, contribuindo ainda mais para a profissionalização do mercado.

Um fato curioso levantado por um dos entrevistados é que esta ânsia pela comunicação pode ser sinal de um resquício da ditadura militar em que a censura abalava nosso país e calava nosso povo, impedindo a liberdade de expressão.

Outro ponto que preocupa é a imagem que muitos dos entrevistados têm do curso de comunicação: um “curso fácil, em que a gente se diverte e não é necessário muito esforço para passar de ano”, segundo um dos entrevistados. Esta opinião é rapidamente desmistificada quando o acadêmico ingressa em uma instituição séria, percebendo que assim como em qualquer profissão, esforço e dedicação são itens mais que necessários para uma boa formação.

Naturalmente que este não se trata de um estudo científico, apenas uma enquete com o objetivo de coletar pontos de vista. Mas diante da variedade de opiniões, uma conclusão pode ser tirada: o jovem brasileiro busca cada vez mais ter voz.


* Bruno Lessa é publicitário e pós-graduado em marketing pela USP. É idealizador do portal Vitrine Publicitária.

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